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domingo, 3 de julho de 2011

A tragédia da esperança

Na comemoração dos meus cinquenta anos, pensei em tornar publico meus anseios mais profundos e escrevi uma retrospectiva da minha história de vida. Fui muito feliz na infância...Imagino que fui muito amada apesar das lembranças de surras homéricas e injustas (é o  meu ponto de vista)... Na adolescência também fui muito feliz... O meu bom senso coroado de medos me fez trilhar caminhos nao muito coerentes mas consegui amadurecer (será?...) dentro de princípios éticos importantes.

Até hoje, o prazer da leitura me acompanha...Sempre investi parte dos meus salários em livros que serviram de parâmetros que nortearam minha existência...

Aprendi cedo a doutrina do existencialismo, mas a formação religiosa foi baseada na curiosidade de saber de onde vim e para onde irei, assim pude navegar por toda essa história incoerente até a biologia mais avançada.

Marx, foi um capítulo a parte em meu desenvolvimento, após tamtas releituras me convenci que sempre esteve certo, apesar da polêmica que até hoje o mundo nao pôde compreender, principalmente após as quedas do muro, da URSS e outros acontecimentos. Mas fui buscar na História da Revolução ussa as minhas respostas e fiquei satisfeita.

Simultaneamente, naveguei por romances do Érico, do Jorge, do Graciliano, e outros tantos que me mostrarm as facetas da realidade brasileira e por extensão de toda a América Latina e mais recentemente da África. Apesar do desenvolvimento tecnológico, muitas vezes, contesto o avanço da humanidade no decorrer dos séculos.... A construção de um  mundo melhor para todos, mais justiça social (me lembrei do Covas); esses conceitos, apesar de muito blá-blá-blá estão cada vez mais esquecidos na lata de lixo mais próxima (ah! a reciclagem...);  solidariedade (onde está o Lech?); Fraternidade (onde o Cristo?); Humanismo (onde o Papa?); Comunismo (onde o Fidel? Ah! continua em Cuba); Capitalismo, Socialismo, Democracia (onde a Grécia?); globalização (onde os EEUU?).

Desde a infância ouço falar "Brasil dos Estados Unidos e Estados Unidos do Brasil" e só pude compreender esse trocadilho ao analisar a crise soviética e a japonesa. Que virus é esse que tem chegado a todos os países do mundo disseminando a miséria absoluta?

Onde estao os pesquisadores sociais que não conseguiram detectar nenhuma solução para esse mal que tem construido a tragédia da esperança de todos os povos oprimidos do mundo?

Na minha utópica esperança, esses pesquisadores estão perdidos no barco do destino em algum mar desconhecido e estão a aportar a qualquer momento....Ou quem sabe naufragarm e estão em alguma ilha desconhecida do Pacífico, construindo uma sociedade mais justa que servirá de parâmetro para comerçarmos a pensar em acertar nossas histórias. Histórias de acerto estão fora de moda? Vide os noticiários.... Quem sabe em algum lugar do futuro possamos encontrar as respostas....

Mas, ainda resta a tragédia da esperança a  nos alimentar até o próximo século, alimentando também nossos filhos que infelizmente, talvez até por herança genética já nascem com o virus da esperança.

Será que o vírus da esperança é responsável por todos esses desastres  sociais? Como avaliar? Como ajudar? Como mudar?

Quando me senti adulta, me julguei pronta (que tolice....) para aumentar a minha responsabilidade e resolvi na década de oitenta, assumir dois filhos. Um menino e uma menina, fui assim presenteada pela Natureza acreditando que podia... Mas um dia, veio a Anistia e eu ainda estava presa no emaranhado da vida de mãe e profissional, "aposentando" a mulher por um tempo... pra poder cumprir com a minha parte e a dele. Após arduos e belos momentos de quase duas décadas fiquei só, sem perspectivas e pude ver que construí a sede da minha esperança sobre um alicerce movediço de leis, que hoje nem sequer são cumpridas....

Chegou o terceiro milênio e mais uma vez a minha ignorância e aquela esperança acordaram estupefatas..... Claro que eu sabia?!... que o mundo nao iria acabar na primeira aurora...   O  que eu estava  esperando? Que um Deus "mágico" tocasse o coração de todos e os transformasse em pessoas melhores? Que ousadia! Que loucura? Seria justo? Nao.

Dos meus passeios por Kardec, fiquei com um conceito de justiça bem diferente, ampliada a horizontes inimagináveis, mas que acaba reforçando  aquela minha "adorável" esperança num futuro melhor, síntese de um plantio do presente.

Que sementes eu consegui plantar? Parábola do Semeador! É isso... Que dificuldade.. Talvez haja uma fórmula mais fácil... Nao faça aos outros aquilo que nao gostaria que fizessem com você!.... É bem melhor de entender, mas é tão difícil colocar em prática...

Só nos resta agora, aguardar a aurora do quarto milênio? Até lá, quem sabe, algo possa ser feito para melhorarmos a nós próprios e consequentemente uns aos outros. Até lá....






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